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VÍDEO COM FOGO ENTRE OS VINHEDOS NÃO É EM BENTO GONÇALVES (RS)

Atualizado: 18 de nov. de 2021

A técnica de produzir fogo entre os vinhedos, com toneis ou mesmo velas, é utilizada para evitar o congelamento das uvas e a perda da fruta nas baixas temperaturas.

O vídeo (acima) que circula nesta quarta-feira, 28, mostrando fogo em meio aos vinhedos, não é em Bento Gonçalves nem em nenhum outro local do Vale dos Vinhedos ou da Serra Gaúcha. As imagens que viralizaram no WhatsApp são deste ano, mas em Chablis, na região da Borgonha, na França, quando uma onda de frio dizimou 80% das uvas que estavam brotando nos vinhedos, de 5 a 8 de abril passados.


A técnica de produzir fogo entre os vinhedos, com toneis ou mesmo velas, é utilizada para evitar o congelamento das uvas e a perda da fruta nas baixas temperaturas. O Rio Grande do Sul e todo o Sul do país amargam um frio intenso, com o termômetro abaixo de zero em várias cidades da Serra Gaúcha. Mas, ao contrário da França, que estava na primavera, na fase de brotação dos cachos de uvas, estamos no inverno, período de dormência total dos nossos vinhedos.


“Nessa época, quanto mais frio, geada ou até neve, melhor pro vinhedo, que está hibernando, repousando, descansando”, afirma o experiente enólogo Ademir Brandelli, da Vinícola Don Laurindo, ouvido pelo Blog da Vinhos do Mundo. “As baixas temperaturas, por mais extremas que sejam, não afetam de nenhuma forma os nossos vinhedos nessa época. É ótimo pro vinho que estão matutando nos tanques, barricas e até nas garrafas. O único problema é para as pessoas mesmo, que devem se cuidar nesse frio todo”, observa.


Vinhedos cobertos pela geada na manhã desta quarta-feira no Vale dos Vinhedos

Os franceses costumam acender milhares de pequenas fogueiras, velas gigantes ou toneis de ferro com líquido inflamável ou montes de palha entre as fileiras da parreira e produzir o máximo de fumaça possível. Isso evita que o frio excessivo forme uma cápsula de gelo ao redor dos brotos (folhas e flores, no detalhe na imagem acima) recém nascidos e, com os primeiros raios de sol, essa cápsula pode se transformar em uma lente que amplifica a luz solar e pode vir a queimar o broto e prejudicar toda uma produção de uvas. Todavia, isso só ocorre na fase da brotação, na primavera, tanto no hemisfério norte como aqui no sul.

A iniciativa, contudo, não teve sucesso na França [foto abaixo] em abril deste ano. Conforme a Associação Nacional de Vinicultores, a geada afetou 80% dos vinhedos franceses. “Teremos uma safra muito baixa em 2021”, informou a entidade.



A prática é antiga. Os vinhedos parecem estar em chamas, mas é apenas uma tentativa de evitar o congelamento dos brotos. Outros anos que são considerados desastrosos para os vinhos franceses, devido à geada intensa, são 1956, 1974, 1991 e 2017.


A utilização desse método de proteção das videiras é comum em regiões mais frias como Chablis, a mais setentrional região vinícola da Borgonha, e em Champagne, a última região ao Norte da França. Mas desde 2016, tem sido necessária também na Côte d’Or, mais ao Sul da região. “O frio nesta época não só ajuda como é necessário. A preocupação para os vitivinicultores gaúchos e catarinenses está nas chamadas ‘geadas tardias’, de setembro em diante. Quando isso acontece, é como ocorreu na França este ano, podemos perder toda a produção”, explica Brandelli.



Texto: Orestes de Andrade Jr., jornalista e sommelier, especial para o Blog da Vinhos do Mundo

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